quinta-feira, 16 de abril de 2020

Covid-19: Moçambique tem mais tempo de preparação, diz OMS



Covid-19: Moçambique tem mais tempo de preparação, diz OMS

Moçambique é um dos países que está a ter mais tempo de preparação para enfrentar o provável aumento local de casos da doença respiratória covid-19, disse hoje à Lusa a representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) no país.




"Temos de ver isso pelo lado positivo: fazemos parte dos países que tiveram a chance de ter um tempo para se preparar e aproveitar [esse tempo] da melhor maneira possível", referiu a guineense Djamila Cabral, em entrevista à Lusa.

"Para mim, essa é a mensagem importante: provavelmente vamos ter mais casos, se as coisas se passarem como temos visto nos outros países", alerta.

"Provavelmente o número de casos vai aumentar, mas tivemos um mês, dois meses que nos permitiram criar condições para nos prepararmos melhor. E se tivermos mais dois, três ou quatro meses, melhor estaremos", evitando uma curva acentuada de crescimento de casos e transformando-a numa subida lenta e gradual, com a qual as autoridades conseguem lidar.

Moçambique tem 28 casos oficialmente registados, sem mortes, com cerca de 762 testes realizados desde que foi declarada a pandemia, a 11 de março, um número inferior a muitos países, mas Djamila Cabral recomenda cautela nas avaliações.

"Não temos elementos para dizer que estamos melhor que os outros. Felizmente não temos encontrado muitos casos positivos", mas a curva da pandemia pode estar ainda a formar-se.

"As pessoas têm a sensação de que se calhar não temos muitos casos e que isso quer dizer que fomos poupados. Pode até ser, mas a verdade é que ainda não vimos tudo".

Sobre a quantidade de testes realizados, Djamila Cabral considera que o sistema de vigilância "funciona bem em Moçambique".

"Eles têm experiência na vigilância", disse, referindo-se às autoridades de saúde: "penso que está a correr bem".

"Penso que o sistema de vigilância é relativamente forte aqui em Moçambique. Estão realmente a fazer aquilo que devem fazer. É verdade que todos têm uma certa ansiedade em relação aos testes, mas não se podem fazer testes a todo o mundo, porque tem de haver regras".

Em Moçambique seguem-se as normas da OMS: são testadas pessoas com sintomas que tenham viajado de zonas com transmissão ativa ou que tenham estado em contacto com casos suspeitos ou confirmados.

"Não se deve testar todo o mundo, faz-se teste a quem precisa" e deve ser assim "mesmo se tivermos um 'stock' [de testes] ali a postos", refere.

"Não há nenhum país que tenha feito testagem a todo o mundo. Houve países com testagem massiva", mas nunca para toda a população, realçou.

"Em nenhum lugar se pode testar todo o mundo. O teste pode se negativo hoje e amanhã pode ser positivo. Não vale a pena testar pessoas que em princípio vão ser negativas. Testamos aquelas que pensamos que podem ser positivas".

E dá um exemplo: se houver informação de que "num determinado bairro já apareceram uma série de casos, temos de fazer mais testes naquele lugar.

Conforme a epidemia evolui, a estratégia e os critérios de testes vão sendo adaptados".

"Se for ver as estatísticas em África, o número de testes aumenta com o número de casos", acrescenta.

"Estamos no bom caminho", refere a representante da OMS em relação a Moçambique, salientando que a primeira reunião sobre covid-19 com o Ministério da Saúde moçambicano foi em janeiro.

Desde então foram criados 15 centro de isolamento, adicionadas 600 camas ao sistema de saúde, foi dada formação a médicos e enfermeiros e o número de respirados artificiais cresceu de cerca de 20 para a casa dos 50 e continua a aumentar, refere.

"Desde cedo foram tomadas medidas pertinentes, atempadas e corajosas", uma vez que parte delas "tem impacto noutras áreas" e podem "não ser muito populares".

Agora, há que continuar a disseminar informação, refere Djamila Cabral, porque "provavelmente ainda há zonas que não estão a receber todas as mensagens" ao nível da prevenção, como por exemplo em comunidades rurais.
O país vive em estado de emergência durante todo o mês de abril, com espaços de diversão e lazer encerrados, proibição de todo o tipo de eventos e de aglomerações.

Durante o mesmo período, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infetou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, cerca de 413.500 são considerados curados.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número total de infetados na China desde o início da pandemia é de 82.249, dos quais 3.341 morreram e, até ao momento, 77.738 pessoas tiveram alta.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou hoje as 800 com mais de 15 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.


 


  09:17 - 15/04/20 por Lusa 







 

sexta-feira, 6 de março de 2020

Covid-19 ainda mata na China


Número de mortes na China pelo novo coronavírus ultrapassa 3 mil
Foram registradas, nas últimas 24 horas, 31 novas mortes


Publicado em 05/03/2020 - 06:06 Por RTP - Pequim




O balanço de mortos na China, devido ao surto do novo coronavírus (Covid-19), ultrapassou a barreira das 3 mil pessoas, com 31 novas mortes registradas nas últimas 24 horas, anunciaram as autoridades chinesas.

Desde que foi detectado, no fim do ano passado, no centro da China, o país registrou 3.012 mortes pelo novo coronavírus.

Até a meia-noite de quinta-feira (16h de quarta-feira em Lisboa), foram também confirmadas 139 novas infecções, um pouco mais do que na véspera (119), para um total de 80.409 casos confirmados, segundo a Comissão Nacional de Saúde do país.

Todas as novas mortes foram registradas na província de Hubei, epicentro do surto, e onde foram notificados 134 dos 139 novos casos. Várias cidades da província foram colocadas sob quarentena, em janeiro passado, com entradas e saídas bloqueadas.

Até a data, Hubei registrou 2.902 mortes e 67.466 casos confirmados de infecção, a maioria em Wuhan, capital da província.

A Comissão Nacional de Saúde da China informou ainda que, no mesmo período de 24 horas, 2.189 pessoas receberam alta após superar a doença.

Segundo os dados oficiais, 52.045 pacientes receberam alta desde o início do surto e 669.025 pessoas que tiveram contato próximo com pacientes foram acompanhadas, entre as quais 32.870 permanecem sob observação.

Nas últimas 24 horas surgiram mais 143 novos casos classificados como suspeitos por terem estado em contato com os infectados, ficando o total em 522.

Há 20 casos confirmados, "importados" de fora, sobretudo procedentes da Itália e do Irã, que registraram na última semana um rápido aumento no número de casos.

Uma das prioridades das autoridades chinesas é "proteger-se da importação" de infecções de outros países.

O surto de Covid-19, que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3.200 mortos e infectou mais de 93 mil pessoas em 78 países.

Além dos 3.012 mortos na China Continental, há registro de mortes no Irã, na Itália, Coreia do Sul, no Japão, na França, em Hong Kong, Taiwan, na Austrália, Tailândia, nos Estados Unidos e nas Filipinas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

*Emissora pública de televisão de Portugal