sexta-feira, 30 de março de 2018

Jovem democracia


Manuel de Araújo lamenta "recuo" na democracia moçambicana


O autarca de Quelimane, no centro de Moçambique, condena o rapto e agressão ao jornalista Ericino de Salema, esta semana. Manuel de Araújo, do MDM, pede justificações ao partido no poder, a FRELIMO.



 Manuel de Araújo, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), condena de forma veemente o sequestro e o espancamento, na terça-feira (27.03), do jornalista moçambicano Ericino de Salema.

É um ato "macabro", que mostra "a tendência de recuo na democracia moçambicana", diz Araújo em entrevista à DW África. "Parece que damos dois passos à frente e, depois, um passo atrás, porque este não é um caso isolado."

 Jornalista moçambicano, Ericino de Salema

O autarca da cidade de Quelimane, na província da Zambézia, lembra o rapto do comentador político e académico José Jaime Macuane, em maio de 2016, e o assassinato de Mahamudo Amurane, edil da terceira maior cidade de Moçambique, Nampula, em outubro de 2017. E aponta o dedo ao partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).

"O profissionalismo com que estes atos são realizados e a impunidade são duas marcas que mostram quem é o mandante - portanto, que vem do seio do partido FRELIMO, sem margem para dúvidas, porque, caso contrário, as instituições de Justiça teriam agido de uma forma mais profissional e mais célere", comenta Manuel de Araújo.

O edil de Quelimane acrescenta que estes atos constituem uma forma de ameaçar e de silenciar o pensamento independente, nomeadamente a liberdade de opinião, de expressão e de manifestação.

Eleições e desmilitarização
A propósito das últimas eleições intercalares em Nampula, o autarca considera que foram "livres e justas", apesar de ter havido alguns constrangimentos, nomeadamente tentativas de fraude pela FRELIMO, "prontamente desmanteladas".

"Há evidências de que a FRELIMO tem recorrido sistematicamente a métodos fraudulentos para se poder manter no poder, quer nas autárquicas, quer nas legislativas, quer nas presidenciais. Acho que essa é uma prática que deve ser condenada não só pelos moçambicanos, mas por todos os amigos de Moçambique, todos aqueles amantes da democracia no mundo inteiro."

Manuel de Araújo lamenta "recuo" na democracia moçambicana
Apesar de os partidos com assento parlamentar já terem chegado a um entendimento a propósito do novo modelo de eleição para governadores provinciais, em 2019, e autarcas, este ano, Manuel de Araújo critica a lentidão nas negociações de paz entre a FRELIMO e a maior força da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) - para o edil, o elemento fundamental nas conversações é a desmilitarização.

"Deu-se um passo [positivo], é verdade. Mas ainda há muito por fazer. Primeiro, é preciso consolidar; segundo, o fenómeno dos esquadrões da morte, que tem o apadrinhamento do partido FRELIMO e do Governo, é algo que deve ser discutido, debatido e eliminado. E os responsáveis devem ser trazidos à barra da Justiça."

Dívidas e transparência
Outra inquietação de Manuel de Araújo prende-se com as dificuldades nas negociações para a reestruturação da dívida pública moçambicana.

O autarca dá razão aos credores, que não aceitaram as condições propostas pelo Governo moçambicano, porque entende que "tem de haver transparência".

O edil considera que o Governo moçambicano não está a ser sério nestas negociações, fazendo propostas inaceitáveis nos termos em que foram apresentadas em Londres. Entretanto, avisa: "Aqueles que do lado moçambicano assim o fizeram, violando a Constituição da República de forma deliberada - não levando ao Parlamento o pacote que ultrapassava os limites dos empréstimos - devem ser responsabilizados por isso. Por outro lado, aqueles que facilitaram esses empréstimos também não podem ficar impunes."

Manuel de Araújo falou à DW África pouco antes de receber, esta quarta-feira (28.03), na Sociedade de Geografia de Lisboa, o Prémio MIL - Personalidade Lusófona, atribuído pelo Movimento Internacional Lusófono. Manuel de Araújo dedicou o galardão aos munícipes da cidade de Quelimane "pelo trabalho abnegado que têm desenvolvido para a melhoria das suas próprias condições de vida".

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O petróleo é nosso!



Reservas provadas da Petrobras atingiram 12,4 bilhões de barris no final de 2017
  • 29/01/2018 22h02
  • Rio de Janeiro




Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
As reservas provadas de óleo, condensado (um hidrocarboneto leve) e gás natural da Petrobras atingiram 12,415 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), em 31 de dezembro de 2017. A informação foi divulgada na noite de hoje (29) pela companhia. O volume apurado segue os critérios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Society of Petroleum Engineers. Pelos mesmos critérios, em 2016, as reservas eram de 12,514 bilhões de boe.

A companhia informou ainda que, mesmo com o recorde de produção em 2017, conseguiu repor 89% do volume produzido, principalmente, por causa da perfuração de novos poços e melhor comportamento dos reservatórios no pré-sal das bacias de Santos e Campos. Já nos campos terrestres, o destaque, de acordo com a Petrobras, foi a redução dos custos operacionais na Bacia do Solimões, no estado do Amazonas.

Em 2017, a produção média de petróleo no Brasil registrou o quarto ano consecutivo de recorde. Foram 2,15 milhões de barris por dia (bpd), 0,4% acima do resultado do ano anterior. No início de 2018, quando fez esse anúncio, a companhia informou que, pelo terceiro ano seguido, cumpriu a meta de produção, confirmando a previsibilidade das suas projeções.

Saiba Mais
Na nota de hoje, a petroleira informou também que a relação entre o volume de reservas e o volume produzido é de 13,5 anos, sendo de 13,7 anos no Brasil. O Índice de Desenvolvimento (ID), que é a relação entre as reservas provadas desenvolvidas e as reservas provadas, ficou em 49% em 2017.

Critérios da SEC
O volume das reservas tem um valor diferente se forem analisadas pelos critérios da US Securities and Exchange Commission (SEC), que é correspondente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil. Conforme a Petrobras, neste caso, em 31 de dezembro de 2017, as reservas provadas de óleo, condensado e gás natural da Petrobras alcançaram 9,752 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Em 2016, eram de 9,672 bilhões de boe.

No critério da SEC, a estatal teve um Índice de Reposição de Reservas (IRR) de 109%. A relação entre o volume de reservas e o volume produzido é de 10,6 anos, sendo de 10,7 anos no Brasil, com o Índice de Desenvolvimento (ID) de 53% em 2017.

A Petrobras acrescentou que a principal diferença entre os critérios ANP/SPE e SEC “é o preço do petróleo considerado no cálculo da viabilidade econômica das reservas”.

O critério utilizado para a certificação das reservas é o da SEC. “A Petrobras, historicamente, submete à certificação pelo menos 90% de suas reservas provadas segundo o critério SEC. Atualmente, a empresa certificadora é a D&M (DeGolyer and MacNaughton)”, informou a empresa na nota.
Edição: Davi Oliveira

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Negociações salariais



Organização dos Trabalhadores Moçambicanos rejeita proposta de redução salarial





2017-11-22 16:01:06portuguese.xinhuanet.com
Maputo, 21 nov (Xinhua) -- A Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM) disse na terça-feira que o corte dos salários como medida de austeridade vai levar a economia a uma recessão sem precedentes.

O OTM respondeu à proposta feita pela Confederação das Associações Econômicas (CTA) de Moçambique que sugeriu, na sexta-feira, que o governo deveria congelar os aumentos salariais e suspender 13º salário mensal em 2018, como uma maneira de aliviar o desequilíbrio de despesas públicas do país.

Na conferência de imprensa convocada para repudiar a medida, a OTM argumentou que melhores salários e condições de trabalho estimulam a economia e melhoram o ambiente de trabalho.

A CTA, a maior associação de empregadores do país, também sugeriu na semana passada que o governo precisa fazer reformas, que inclui congelar promoções automáticas dos funcionários públicos para corrigir os desequilíbrios na despesa pública.

"Rejeitamos categoricamente o ataque contra os direitos fundamentais dos funcionários públicos e trabalhadores. Intenções e propostas da CTA irão desestabilizar o setor produtivo e causar restrições sobre a economia do país," disse Alexandre Munguambe, o secretário-geral da OTM.

Munguambe defende, em nome dos trabalhadores, que o custo da crise que o país está passando não deve ser pago desta forma e que outras estratégias que envolvam toda a sociedade devem ser pensadas.

O secretário-geral ameaçou "organizar uma greve", "se o governo optar por essa estratégia".

De acordo com a imprensa local, a posição do governo é para motivar os empregados. "Sempre que possível, vamos pagar o 13º salário, estamos trabalhando para que isso aconteça," disse o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane na segunda-feira.
http://www.newsimg.cn/portuguese/20170502/img/jc-logo.png