terça-feira, 9 de junho de 2020

Mais 20 casos em Moçambique aumenta o total para 453 infetados

Moçambique registou, nas últimas 24 horas, mais 20 casos positivos de covid-19, elevando o total de infetados pelo novo coronavírus de 433 para 453 e mantendo dois óbitos, anunciou hoje a diretora de Saúde Pública.


"Os novos casos são todos de nacionalidade moçambicana", disse Rosa Marlene, na atualização de dados sobre a pandemia no Ministério da Saúde, em Maputo.

Os 20 novos doentes, três dos quais menores, foram registados nas províncias de Maputo (07), Nampula (10) e cidade de Maputo (03), afirmou Rosa Marlene, acrescentando os doentes estão todos em isolamento domiciliar.

"Decorre neste momento o mapeamento da rede de contacto destas pessoas", acrescentou.

Dos 453 casos registados em Moçambique, 411 são de transmissão local e 42 são importados, havendo registo de dois mortos e seis internados.

O Ministério da Saúde indicou ainda que 136 pessoas estão recuperadas.

Do total, as províncias de Cabo Delgado, Nampula e cidade de Maputo lideram com o maior número de casos, com 164,136 e 71, respetivamente, estando os restantes distribuídos pelo país.

Desde o anúncio do primeiro caso em Moçambique, em 22 de março, foram feitos 15.190 testes e foram submetidas a quarentena cerca de 18 mil pessoas das mais de 900 mil rastreadas.

Um total de 2.143 continuam a ser acompanhadas pelas autoridades de saúde moçambicanas.

Em África, há 5.334 mortos confirmados e cerca de 196 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.389 casos e 12 mortos), seguida da Guiné Equatorial (1.306 casos e 12 mortos), Cabo Verde (567 casos e cinco mortes), São Tomé e Príncipe (513 casos e 12 mortos) e Angola (92 infetados e quatro mortos).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 406 mil mortos e infetou mais de 7,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados, embora com menos mortes.


segunda-feira, 4 de maio de 2020

A ONG Centro para Democracia e Desenvolvimento sugere "modelo independente de gestão eleitoral" no país


A ONG Centro para Democracia e Desenvolvimento sugere "modelo independente de gestão eleitoral" no país

A organização não-governamental (ONG) Centro para Democracia e Desenvolvimento sugeriu um "modelo independente" na gestão da Comissão Nacional de Eleições, considerando que a integração de membros indicados pelos partidos políticos compromete a imparcialidade do órgão.
A ONG Centro para Democracia e Desenvolvimento sugere
Contagem de votos após o encerramento das urnas nas eleições gerais deste ano. Lusa
 


“A forma extremamente vergonhosa como as eleições do ano passado foram organizadas, com a Comissão Nacional de Eleições a assumir-se como jogador e não como árbitro, veio mostrar, uma vez mais, ser urgente a profissionalização do órgão, sob pena de a democracia moçambicana tornar-se, em definitivo, um exercício de fachada”, lê-se numa nota do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).

Em causa está o facto de que dos 17 membros que compõem a Comissão Nacional de Eleições (CNE), 10 são indicados por partidos políticos com assento parlamentar e sete são propostos por organizações da sociedade civil e eleitos pela Assembleia da República (AR).

“Ainda que aparente e formalmente a atual CNE se encaixe no chamado modelo independente de gestão eleitoral, na prática ela não passa de uma amálgama de três células de partidos políticos representados na AR (Frelimo, Renamo e MDM), associada a alguma sociedade civil duvidosa, cooptada ou recrutada a dedo por esses três partidos com assento no parlamento”, refere o CDD.

Para a ONG, além de comprometer a independência e imparcialidade do órgão, a influência dos partidos políticos na CNE é contrária à “letra e ao espírito” da Constituição.

“É por isso que a profissionalização do órgão é, a nosso ver, a única forma de devolver-lhe dignidade, sob pena de a nossa democracia continuar a ser um simulacro, isto é, representação fiel de algo que não existe”, acrescenta a ONG, que sugere a abertura de concursos públicos para a escolha de vogais.

Dos 17 membros do órgão que garantiram os últimos dois escrutínios em Moçambique, cinco eram da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, quatro da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, e um do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), sendo os outros sete provenientes da sociedades civil, mas aprovados pelo parlamento.

O mandato dos membros da CNE (16 vogais e um presidente) terminou em 30 de abril, após cinco anos, período no qual o país teve eleições autárquicas e gerais, em 2018 e 2019, respetivamente.

Nas eleições gerais, Filipe Nyusi foi reeleito nas presidenciais com 73% dos votos, num escrutínio em que o seu partido, a Frelimo, também obteve a maioria qualificada nas legislativas e provinciais.

 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Covid-19: Moçambique tem mais tempo de preparação, diz OMS



Covid-19: Moçambique tem mais tempo de preparação, diz OMS

Moçambique é um dos países que está a ter mais tempo de preparação para enfrentar o provável aumento local de casos da doença respiratória covid-19, disse hoje à Lusa a representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) no país.




"Temos de ver isso pelo lado positivo: fazemos parte dos países que tiveram a chance de ter um tempo para se preparar e aproveitar [esse tempo] da melhor maneira possível", referiu a guineense Djamila Cabral, em entrevista à Lusa.

"Para mim, essa é a mensagem importante: provavelmente vamos ter mais casos, se as coisas se passarem como temos visto nos outros países", alerta.

"Provavelmente o número de casos vai aumentar, mas tivemos um mês, dois meses que nos permitiram criar condições para nos prepararmos melhor. E se tivermos mais dois, três ou quatro meses, melhor estaremos", evitando uma curva acentuada de crescimento de casos e transformando-a numa subida lenta e gradual, com a qual as autoridades conseguem lidar.

Moçambique tem 28 casos oficialmente registados, sem mortes, com cerca de 762 testes realizados desde que foi declarada a pandemia, a 11 de março, um número inferior a muitos países, mas Djamila Cabral recomenda cautela nas avaliações.

"Não temos elementos para dizer que estamos melhor que os outros. Felizmente não temos encontrado muitos casos positivos", mas a curva da pandemia pode estar ainda a formar-se.

"As pessoas têm a sensação de que se calhar não temos muitos casos e que isso quer dizer que fomos poupados. Pode até ser, mas a verdade é que ainda não vimos tudo".

Sobre a quantidade de testes realizados, Djamila Cabral considera que o sistema de vigilância "funciona bem em Moçambique".

"Eles têm experiência na vigilância", disse, referindo-se às autoridades de saúde: "penso que está a correr bem".

"Penso que o sistema de vigilância é relativamente forte aqui em Moçambique. Estão realmente a fazer aquilo que devem fazer. É verdade que todos têm uma certa ansiedade em relação aos testes, mas não se podem fazer testes a todo o mundo, porque tem de haver regras".

Em Moçambique seguem-se as normas da OMS: são testadas pessoas com sintomas que tenham viajado de zonas com transmissão ativa ou que tenham estado em contacto com casos suspeitos ou confirmados.

"Não se deve testar todo o mundo, faz-se teste a quem precisa" e deve ser assim "mesmo se tivermos um 'stock' [de testes] ali a postos", refere.

"Não há nenhum país que tenha feito testagem a todo o mundo. Houve países com testagem massiva", mas nunca para toda a população, realçou.

"Em nenhum lugar se pode testar todo o mundo. O teste pode se negativo hoje e amanhã pode ser positivo. Não vale a pena testar pessoas que em princípio vão ser negativas. Testamos aquelas que pensamos que podem ser positivas".

E dá um exemplo: se houver informação de que "num determinado bairro já apareceram uma série de casos, temos de fazer mais testes naquele lugar.

Conforme a epidemia evolui, a estratégia e os critérios de testes vão sendo adaptados".

"Se for ver as estatísticas em África, o número de testes aumenta com o número de casos", acrescenta.

"Estamos no bom caminho", refere a representante da OMS em relação a Moçambique, salientando que a primeira reunião sobre covid-19 com o Ministério da Saúde moçambicano foi em janeiro.

Desde então foram criados 15 centro de isolamento, adicionadas 600 camas ao sistema de saúde, foi dada formação a médicos e enfermeiros e o número de respirados artificiais cresceu de cerca de 20 para a casa dos 50 e continua a aumentar, refere.

"Desde cedo foram tomadas medidas pertinentes, atempadas e corajosas", uma vez que parte delas "tem impacto noutras áreas" e podem "não ser muito populares".

Agora, há que continuar a disseminar informação, refere Djamila Cabral, porque "provavelmente ainda há zonas que não estão a receber todas as mensagens" ao nível da prevenção, como por exemplo em comunidades rurais.
O país vive em estado de emergência durante todo o mês de abril, com espaços de diversão e lazer encerrados, proibição de todo o tipo de eventos e de aglomerações.

Durante o mesmo período, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infetou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, cerca de 413.500 são considerados curados.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número total de infetados na China desde o início da pandemia é de 82.249, dos quais 3.341 morreram e, até ao momento, 77.738 pessoas tiveram alta.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou hoje as 800 com mais de 15 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.


 


  09:17 - 15/04/20 por Lusa